Inibição da PAD4 mostra potencial contra covid-19 e sepse
Home » Blog » Saúde » Plano de Saúde » Inibição da PAD4 mostra potencial contra covid-19 e sepse
Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP identificaram que a inibição da enzima PAD4, envolvida em processos inflamatórios, pode amenizar os sintomas da covid-19 em casos graves. Os testes, realizados em modelos animais, indicaram melhora clínica e revelaram potencial de aplicação também em doenças inflamatórias como sepse e distúrbios autoimunes. No entanto, o estudo também apontou riscos, especialmente pela redução da resposta imune adaptativa — mecanismo essencial para o reconhecimento e combate a novas infecções.
A pesquisa, conduzida pelo Laboratório de Imunorregulação e Doenças (LID), avaliou uma substância capaz de bloquear a PAD4 e constatou que o efeito é comparável ao da DNase recombinante. Essa droga degrada as chamadas NETs — armadilhas extracelulares formadas por neutrófilos para conter agentes infecciosos. Quando se acumulam, essas estruturas podem causar inflamação excessiva e danificar tecidos, como os pulmões. Ao impedir a formação das NETs, a inibição da PAD4 reduz a inflamação e protege contra danos graves, como insuficiência respiratória.
Apesar dos benefícios, o tratamento apresentou um efeito colateral importante: comprometeu a ativação dos linfócitos T, células fundamentais para a defesa contra vírus e para a formação de memória imunológica. Isso ocorreu pela redução na apresentação de antígenos e na produção da interleucina-2 (IL-2), substância que estimula a multiplicação dessas células. Na prática, significa que, embora o medicamento reduza a inflamação, pode enfraquecer a resposta do organismo em futuras exposições ao mesmo patógeno.
Os pesquisadores defendem que o uso do inibidor de PAD4 seja avaliado com cautela, podendo ser indicado apenas em casos de inflamação descontrolada, como em quadros graves de covid-19. Nesses cenários, a prioridade é evitar danos teciduais, mesmo que isso implique menor formação de memória imunológica. Como alternativa inicial, a DNase pode ser preferida por preservar melhor a defesa do organismo.
Estuda-se também a possibilidade de combinar o inibidor de PAD4 com medicamentos que estimulem a imunidade, prática já adotada com corticoides. Antes de avançar para testes em humanos, são necessários novos estudos pré-clínicos, incluindo modelos de covid longa, para avaliar segurança e eficácia.
Para Caio Santos Bonilha, autor do estudo, além dos achados científicos, o trabalho reforça a importância de manter investimentos contínuos em ciência no Brasil. “Temos potencial para liderar descobertas de impacto global, desde que a pesquisa seja valorizada”, afirma.
Fonte: Medicina SA
Compartilhe:
Dulce Delboni Tarpinian
Tendências financeiras no setor de saúde suplementar Crescimento dos custos assistenciais Verticalização dos serviços de saúde Novos modelos de remuneração Digitalização e …
Reconhecimento eficaz para equipes de alto desempenho A importância do reconhecimento no ambiente corporativo Tipos de programas de reconhecimento mais eficazes Como …
Como calcular a eficiência operacional da operadora O que é eficiência operacional de uma operadora Principais indicadores de eficiência operacional Como coletar …