Tratamento da DPOC no Brasil ainda depende do IDH
Home » Blog » Saúde » Plano de Saúde » Tratamento da DPOC no Brasil ainda depende do IDH
Um estudo apresentado no congresso ISPOR (International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research) revela uma realidade preocupante: o acesso ao tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) no Brasil ainda é diretamente influenciado pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios. A pesquisa foi conduzida pela biofarmacêutica Chiesi, utilizando dados públicos do DATASUS e as médias de IDH municipais.
Apesar da existência de diretrizes clínicas claras no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o estudo evidencia que os princípios de integração, universalidade e equidade ainda enfrentam grandes desafios em regiões com menor desenvolvimento socioeconômico. Cidades como Melgaço (PA), Fernando Falcão (MA) e Atalaia do Norte (AM) apresentaram taxa de dispensação consistente de medicamentos de apenas 44,7%. Em contraste, municípios com IDH mais elevado, como São Caetano do Sul (SP), Águas de São Pedro (SP) e Florianópolis (SC), atingiram 51,3%.
A utilização de medicamentos essenciais, como a combinação de broncodilatadores de longa ação (LABA/LAMA), também demonstrou disparidades. Curiosamente, a taxa de uso foi levemente maior nas cidades com IDH mais baixo (28,2% contra 26,99%), o que pode indicar piora clínica nesses locais, e não maior acesso. Além disso, a análise identificou 252.463 pacientes diagnosticados com DPOC, número inferior à prevalência estimada de 17% da população brasileira, o que evidencia uma significativa subnotificação e subdiagnóstico da doença.
Entre os principais obstáculos, destaca-se a escassez de pneumologistas. O Brasil conta com apenas 4.021 especialistas, mal distribuídos pelo território nacional. As regiões Norte e Nordeste, que concentram os menores IDHs, enfrentam maior dificuldade para garantir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, o que agrava ainda mais os quadros clínicos e compromete a qualidade de vida dos pacientes.
“Essa desigualdade não apenas eleva os custos com internações e tratamentos complexos, como também impacta diretamente na saúde física e mental dos pacientes. A falta de acesso adequado aumenta o risco de agravamento da doença, hospitalizações frequentes e até mortes precoces”, destaca Ricardo Amorim Corrêa, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Outro fator apontado pelo estudo é a defasagem na atualização dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Em setembro de 2024, a Conitec aprovou a incorporação das terapias triplas fixas — que reúnem três medicamentos em um único dispositivo inalatório — ao SUS. No entanto, o prazo legal de 180 dias para implementação já se esgotou, e a disponibilização nacional ainda não foi concluída. Por ora, apenas estados como Goiás, Pernambuco e Minas Gerais conseguiram avançar com PCDTs próprios e já oferecem essa terapia aos pacientes.
Corrêa ressalta que ampliar o arsenal terapêutico no SUS é essencial para reduzir desigualdades e melhorar a adesão ao tratamento, sobretudo entre os pacientes mais vulneráveis. “As terapias triplas não apenas facilitam o uso, como também favorecem o controle da doença em regiões com menos recursos.”
O levantamento contemplou os períodos de 2017 a 2019 e de 2022 a 2023, excluindo os anos de 2020 e 2021 devido ao impacto da pandemia de Covid-19 nos dados.
Fonte: Medicina SA
Compartilhe:
Dulce Delboni Tarpinian
Tendências financeiras no setor de saúde suplementar Crescimento dos custos assistenciais Verticalização dos serviços de saúde Novos modelos de remuneração Digitalização e …
Reconhecimento eficaz para equipes de alto desempenho A importância do reconhecimento no ambiente corporativo Tipos de programas de reconhecimento mais eficazes Como …
Como calcular a eficiência operacional da operadora O que é eficiência operacional de uma operadora Principais indicadores de eficiência operacional Como coletar …